Entrevista!

Explica-nos o significado por detrás do título do álbum, "Bionic"!
O significado por detrás do nome do álbum, "Bionic", tem muitas camadas. Para mim, significa ter partes do corpo biónicas. Em especial, foi dado ênfase às cordas vocais no trabalho artístico do álbum. Há um rouxinol pequeno que canta através de tubos metálicos, que são instrumentos de sopro e megafones. É um desenho muito fixe e complicado de D*Face, um dos meus artistas de graffiti preferidos. Depois, temos o biónico que vem da ideia de estarmos altamente estimulados electronicamente e entusiasmados quanto ao futuro. É também uma forma como vejo as mulheres. Somos sobre-humanas em tantos aspectos: damos à luz, damos vida, fazemos tudo e temos várias facetas. Trabalhamos ao mesmo tempo, criamos a nossa família, aguentamos o forte. Ter-me tornado mãe, desde então, também contribuiu para o significado biónico do álbum.

Fala-nos sobre alguns dos compositores e produtores de “Bionic” com quem colaboraste no álbum!
As colaborações em "Bionic" foram muito divertidas para mim. Tive, literalmente, de receber algum encorajamento, porque fico intimidada e empolgada no que respeita a pessoas que respeito e admiro muito como artistas. O meu marido dizia: "Se gostas tanto deles, por que não os contactas?". Teve que me dar um empurrãozinho para me fazer contactá-los e ver se queriam ou não trabalhar comigo, o que é de deixar os nervos em franja, mas correu tudo muito bem. Falei com os Ladytron, com a Sia, com quem queria muito trabalhar... Sou uma grande fã do seu trabalho com os Zero 7. Também falei com os Le Tigre, Peaches e os Goldfrapp. Falei com os produtores de M.I.A e de Santigold, de quem também sou grande fã e com quem acabei por colaborar como co-escritores. Foi uma experiência muito divertida trabalhar com todos eles. (...)
Foi mágico, foi pura magia. Foi muito divertido.

A Christina co-escreveu uma série de temas neste álbum. Como é o teu processo criativo?
O meu processo criativo é bastante complicado. (...) Torturo-me de muitas formas, porque sou uma perfeccionista radical e quero sempre superar-me.
Apresenta-se de muitas formas diferentes para mim. Às vezes, é orgânico e muito cru, a nível vocal e musical, e muito orientado pela emoção e pela vulnerabilidade, e depois há outro lado que sai e que confere muito poder e quer conferir poder às outras mulheres e que quer contar histórias sobre o meu passado, sobre a agressividade e sair disso, sobre a luz ao fundo do túnel, no que toca a outras mensagens. Essa é sempre a minha base para a criatividade e o que me inspira em termos de letras.
Neste álbum, pude aventurar-me no sentido de me sentir mais à vontade com as minhas raízes pop de há uma década e fazer um disco pop divertido, mas sofisticado e mais maduro como eu amadureci nos últimos dez anos ou isso. É uma viagem muito divertida.
(...) Estou constantemente a rasgar coisas de revistas, tenho milhares de ‘post-it’ por todo o lado e acumulo ideias ao longo dos anos, que mantenho organizadas de uma certa forma. Depois, acabo por fazer umas colagens enormes com pioneses e quadros e mostro-as aos produtores e digo: "isto é o que pretendo, é este o visual, vamos fazer o áudio a condizer com este visual".
(...) Estar constantemente em digressão e ser inspirada por novas paisagens, sons e pessoas que conheço, tudo isso faz parte de contar uma história, para mim e depois fazer uma pausa e absorver tudo isso e depois transpô-lo para palavras e som. Portanto, é tudo uma viagem para mim e faz tudo parte do processo criativo. Inicialmente, quis fazer um álbum futurista, porque tinha uma visão inicial para mim própria, desde que me senti muito inspirada pelos Prodigy, aos 15 anos. Ouvi o disco deles e foi uma bofetada na cara. Perguntei: "O que é isto e como posso pôr as mãos nisto?" e soube, nessa altura, aos 15 anos, que queria fazer um disco com uma sonoridade futurista, da mesma forma que soube, desde muito nova, que queria fazer um álbum de inspiração, que prestasse tributo aos artistas e músicos de Soul, Blues e Jazz, que me inspiraram quando era muito nova. Sabia que, em todos os álbuns, queria ter uma perspectiva diferente e sabia que era a altura e o local certo para o fazer, por causa do meu filho e por pensar na próxima geração e no futuro. Por isso, disse: "Onde estão as minhas raízes dos Prodigy? Deixa-me lá sacar delas e pô-las neste álbum".
Além disso, também andava a ouvir muita música electrónica, os Goldfrapp e Ladytron e artistas ‘underground’, como os Le Tigre.

Escreveste e gravaste a maior parte deste álbum em casa ou viajaste muito durante o processo?
Gravei toda a música em casa. Consegui que todos os artistas espantosos que emprestaram o seu talento a este disco viessem à sala "Red Lips" (“Lábios Vermelhos”), que foi o nome que dei ao meu estúdio, que pertencia a Ozzy Osbourne. Era a casa dos Osbourne, onde o “reality show” [“The Osbournes”] foi gravado. Ele tinha um estúdio incrível, nas traseiras.

O que tem este álbum de diferente, em relação aos teus três álbuns de estúdio anteriores?
Este álbum é diferente. Acho que é óbvio, quando vemos a capa, que vai numa direcção mais futurista. Quando ouvimos a música, é difícil escolher. Com o lançamento de cada tema, verão que cada um tem um sabor e uma vibração diferente. Não podemos definir o álbum com uma só canção. É muito versátil e percorre uma viagem de um enredo e momentos divertidos e outros vulneráveis...

O que representa o primeiro single, ‘Not Myself Tonight’? O que esperas que os fãs retirem dele? 
‘Not Myself Tonight’ surgiu quando estava a terminar de rodar o filme "Burlesque". Já tinha acabado o álbum, mas tive que o pôr de lado para ir fazer o filme, durante uns seis meses, o que foi, em termos musicais e criativos, muito difícil para mim enquanto artista, e depois tornar-me outra pessoa durante seis meses. Portanto, isso foi difícil para mim, e eu tinha mudado, crescido e aprendido tanto, durante o filme, que quando estava a cerca de um mês de acabar o filme, falei com os produtores e com a editora e disse: "mandem-me temas, mandem-me canções, tenho histórias novas para contar, quero escrever, estou interessada em talvez voltar para o estúdio e ver o que surge, porque tenho uma nova inspiração e tenho coisas novas para dizer". Senti-me um pouco não eu mesma nos últimos seis meses, porque tive literalmente de ser outra pessoa e estava pronta para me libertar da minha pele e da minha jaula e rebelar-me um pouco contra ter de ser uma certa forma, por assim dizer. De uma certa forma, foi uma referência aos meus tempos perversos, mas de uma forma muito mais sofisticada e madura.

Se pudesses resumir a vibração de "Bionic" em poucas palavras, como a descreverias? 
Forte, sensual, divertida, brincalhona.

Há alguma canção específica no álbum, que tenha um significado especial para ti?
Todos os álbuns coincidem com estados de espírito específicos em diferentes alturas do dia, da semana e do mês.
Mas diria - e digo-o sempre - que o coração do álbum, o meu lado verdadeiro, vulnerável e cru é visível nos temas de Sia e Sam Dixon.
Escrevi uma canção que tem uma vibração de canção de embalar para o meu filho. É uma balada de piano muito bonita e produzida de forma simples, chamada ‘All I Need’, com uns lindíssimos instrumentos de cordas. Três outras canções que escrevi com ela, que falavam de uma forma verdadeira, honesta, directo do coração, e é por isso que lhe chamo o coração do álbum, mas nenhum dos temas tem uma base electrónica. É tudo muito cru, orgânico, doce, simples e bonito. A Sia e o Sam foram génios.

Estás entusiasmada por fazer uma digressão mundial com este álbum. Há algum país ou cidade preferida que estejaz ansiosa por visitar? 
Estou muito entusiasmada quanto a voltar à estrada e ver todos os meus fãs pessoalmente, quanto a fazer uma digressão mundial e inspirar-me novamente para o próximo visual, sensação e criação que surgir no meio da digressão. Estou muito entusiasmada por promover "Bionic" e explorar todo esse mundo, porque será um "monstro" totalmente diferente em digressão e um lado meu totalmente diferente que nunca foi visto, com muitos efeitos especiais e elementos electrónicos, portanto, é muito empolgante para mim explorar todos os elementos biónicos e o mundo biónico.

Há um país que tenha os fãs mais ferrenhos e leais? Podes contar-nos algo louco ou espantoso que um fã tenha feito? 
Os fãs são espantosos seja onde for. Todos têm o seu próprio estilo e forma de reagir, mas talvez os mais barulhentos na digressão... Não sei, Dublin é formidável. Em termos de volume e de envolvência foram fantásticos.
A Austrália tem alguns fãs ferrenhos e espectaculares. O Reino Unido tem uma boa energia, sempre que subo ao palco lá. A lista é interminável. A Alemanha... Todos os países têm uma energia extraordinária. (...) Todos eles são divertidos, seja onde for. Trazem sempre algo de novo.

 

fonte: MTV Portugal

publicado por . às 10:06